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A
Controladoria-Geral da União (CGU) está estudando, em parceria com o Instituto
Ethos de Responsabilidade Social, a criação de um cadastro de empresas que
invistam na ética e na integridade, implementando medidas de governança
corporativa e de prevenção da corrupção.
A idéia é
divulgar uma lista de empresas que desenvolvem ações concretas de promoção da
integridade, como regras formais de relacionamento com o setor público, códigos
de conduta, canais internos de denúncias, sistemas de controle e auditoria,
programa de compliance e política de transparência que envolva, inclusive, as
doações políticas efetuadas pela empresa a partidos e candidatos.
Assim, da mesma
forma que divulga lista de empresas punidas pela Administração Pública - por
meio do Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas (Ceis), que já conta
com cerca de 1,4 mil empresas punidas, - a CGU quer divulgar também nomes de
empresas que se preocupam em prevenir a corrupção e se recusam a praticar o
suborno e a propina, para que os exemplos possam ser conhecidos e servir de
estímulo à adoção de boas práticas de promoção da ética no setor privado.
Tendência
global
Com a criação
do “Cadastro Positivo” de empresas, a CGU espera contribuir para a
conscientização do empresariado sobre o seu papel e sua responsabilidade na luta
anticorrupção e no estabelecimento de um ambiente de integridade e de confiança
nas relações entre o setor público e o setor privado.
De acordo com o
ministro-chefe da CGU, Jorge Hage, tal preocupação não é apenas brasileira nem é
originalmente nossa: “Ela constitui um dos temas mais atuais nos debates
internacionais de que o Brasil tem participado através da CGU. Por exemplo, no
Comitê sobre Corrupção, criado recentemente pelo Fórum Econômico Mundial, esse
foi um dos tópicos mais discutidos, constatando-se que os diversos países ainda
estão procurando meios e modos para disseminar mais amplamente, no setor
privado, a consciência de que as empresas também têm que fazer a sua parte na
luta contra a corrupção”, analisa.
A mesma coisa
ficou patente no Relatório Global da Corrupção, em 2009, da Transparência
Internacional, divulgado no Brasil em tradução promovida pelo Instituto Ethos e
pela ONG Abracci (Articulação Brasileira contra a Corrupção e a Impunidade).
Hage lembra
ainda que nos documentos decorrentes de discussões internacionais sobre o
assunto tem sido muito usada a expressão em inglês: “It takes two to tango” (em
tradução livre: “São necessários os dois lados para que a corrupção aconteça: o
corruptor e o corrupto”). De fato, observa, a corrupção sob algumas de suas
formas mais freqüentes – tais como o “suborno” e o “direcionamento de
licitações” – depende dos dois lados para acontecer.
No Brasil, a
iniciativa virá complementar o trabalho de promoção da ética que a CGU já
desenvolve junto às empresas em parceria com o Instituto Ethos.
No momento, a
CGU está discutindo com o Instituto Ethos a operacionalização do novo cadastro,
com a definição das medidas que devem ser implementadas pelas empresas e dos
critérios/indicadores a serem utilizados na avaliação. A idéia inicial é que as
empresas interessadas solicitem seu cadastramento, submetendo suas políticas
internas de integridade e promoção da ética à verificação de um comitê a ser
composto, provavelmente, por representantes do próprio meio empresarial
indicados pelo Ethos, do poder público (pela CGU), da sociedade civil e do meio
acadêmico.
Assessoria de
Comunicação Social
Fonte:
CGU - Controladoria-Geral da União - 09/03/2010