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Alex Rodrigues
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O Ministério Público
do Trabalho (MPT) em Bauru (SP) vai pedir ao Ministério do Trabalho que
intensifique a fiscalização sobre o Banco Santander, condenado pela Justiça do
Trabalho por exigir que seus empregados trabalhem além da carga horária
estipulada por lei: seis horas para bancários em geral e oito horas para cargos
de confiança.
Segundo o procurador Luís
Henrique Rafael, o pedido é motivado por denúncias feitas pelo Sindicato dos
Bancários de Bauru, que o juiz da Vara de Justiça do Trabalho de Ourinhos (SP),
Levi Rosa Tomé, já julgou procedentes.
No fim do ano passado, Tomé
proibiu os trabalhadores das unidades do banco em Ourinhos e região de fazer
hora extra sem motivo justificado. O juiz também estabeleceu que mesmo em casos
excepcionais, a jornada de trabalho somente poderá ser prorrogada com a
autorização por escrito do empregado e com a apresentação de justificativa ao
Ministério do Trabalho.
Após classificar o setor
bancário como um “terreno fértil para o afloramento de uma verdadeira epidemia
de doenças relacionadas ao trabalho em função de jornadas extenuantes”, o juiz
estabeleceu que o Santander seja punido com multas de R$ 5 mil por trabalhador
que vier a ser flagrado em uma situação que contrarie a decisão judicial.
O procurador Luís Henrique
Rafael diz que ainda não está satisfeito com a decisão. Além de pedir ao
Ministério do Trabalho que intensifique a fiscalização nas agências do banco em
todo o país, o promotor promete entrar com recurso para que a decisão da Justiça
do Trabalho de Ourinhos seja estendida para, no mínimo, todo o estado de São
Paulo.
Para Rafael, a maior evidência
de que os abusos não se limitam ao interior de São Paulo é o fato de o Santander
usar um mesmo sistema de ponto em todo o país. De acordo com ele, esses sistema
facilitaria fraudes nos horários de entrada e saída dos empregados para que as
horas extras não sejam contabilizadas.
“A anotação das horas de
trabalho é feita pelo empregado, com sua senha, no próprio terminal de
computador do banco. Só que quando o empregado encerra a sua jornada, ele passa
a usar o sistema com a senha de um outro empregado. Um gerente, por exemplo, que
não está sujeito a anotar sua jornada. Isso caracteriza uma fraude ao sistema de
anotação de jornada prevista na CLT”, disse o procurador à Agência Brasil,
destacando que na grande maioria dos casos as horas extras não eram pagas.
Secretário de imprensa da
Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf) e
funcionário do Santander em Porto Alegre (RS), Ademir Wiedirkehr diz que a
confederação já havia recebido várias denúncias de fraude à anotação das horas
extras e que os abusos não se limitam nem ao interior de São Paulo, nem apenas
ao Santander.
“A implementação do ponto
eletrônico é fruto da mobilização da categoria e reduziu o problema de horas
extras não pagas. Mas nós temos conhecimento de fraudes do ponto eletrônico e
achamos importante que o Ministério Público e as delegacias regionais do
trabalho fiscalizem não só o ponto eletrônico – que achamos que melhorou o
controle da jornada -, mas também as condições de trabalho como um todo, em todo
o país”
Procurado pela reportagem para
comentar o assunto, o Santander limitou-se a responder que não pode falar a
respeito de assuntos sub judice (sob exame da Justiça). Horas antes, em Madri, o
banco espanhol havia anunciado ter alcançado, em 2009, o segundo maior lucro de
sua história. Resultado que, segundo a BBC Brasil, a instituição disse ter
ficado acima das expectativa, graças principalmente aos resultados da ampliação
de capital.
Edição: Graça Adjuto
Fonte: Agência Brasil
- 5 de Fevereiro de 2010 - 06h48